A bebida preferida da rainha: conheça a origem do “chá das cinco”

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Para os britânicos o “chá das cinco” é um patrimônio nacional, um dos programas preferidos da sociedade inglesa.

Anna Maria Russell, Sétima Duquesa de Bedford

A bebida que já era muito consumida desde o século 17, ganhou um novo status na Inglaterra no século 19, por conta da Duquesa de Bedford, também conhecida como Anna Maria Russell, a sétima Duquesa de Bedford era uma das damas da rainha Vitória.

Ela se queixava de fome no final da tarde e mal sabia que ela iria transformar a vida e o hábito de todo o país.

No século 19, o jantar era servido por volta das 21h30, no verão. Por isso, ela começou a pedir um pequeno lanche e com ele, uma xícara de chá.

Isso ocorria no final da tarde e acabou virando um evento social, onde até a rainha Vitória e suas damas de companhia acabaram incorporando este hábito.

Os aristocratas e os burgueses britânicos gostaram da ideia e começaram a imitar o ritual.

Assim nasceu o chá das 5 da tarde, que se tornou uma rotina diária para os britânicos até hoje.

Aqui no Brasil, para os milhões de amantes de chá que temos, a recomendação para um delicioso chá das 5 pode ser um chá preto típico dos ingleses, um rooibos ou, ainda, uma infusão sem cafeína.


Hábito de uma duquesa transforma o comportamento da sociedade britânica

A duquesa convidava as amigas para acompanhá-la na refeição. A rainha Vitória soube disso e gostou da ideia.

Uma das iguarias servidas era um bolo leve com creme de manteiga e framboesas frescas. Para acompanhá-lo foi escolhido um delicioso chá.

Posteriormente, essa iguaria ficou conhecida como o Bolo Victoria.

Assim, a rotina acabou se tornando um evento social que reunia as senhoras da alta sociedade. 

O acontecimento acabou se tornando tão esperado que, para estar presente, eram usados os mais sofisticados e elegantes vestidos, as tradicionais luvas longas, joias e belíssimos chapéus.

Hoje em dia, só para se ter uma ideia, no hotel mais antigo de Londres, o Brown´s Hotel são servidos aproximadamente 500 chás da tarde, a cada semana!

É o chá da tarde mais disputado da cidade, sendo aconselhável reservar com antecedência. Muitos britânicos mantém o hábito de tomar um delicioso blend, acompanhado do tradicional “Victoria sponge cake”.

O hábito inclui comer devagar. O ideal é que este lanche contenha creme e geleia, seguindo a tradição imposta pela realeza britânica.

Não há no mundo alguma nação que tenha o chá como algo tão tradicional em seu país e em seu passado.

O chá ficou mais conhecido como uma bebida inglesa do que oriental.

China e Japão, também muito tradicionais no assunto, acabam ficando para trás já que o chá na Inglaterra é uma parte forte de sua cultura tanto que pessoas ao redor do mundo inteiro reconhecem isso.

Porém, como a maioria sabe, os ocidentais principalmente devem agradecer à China pelo cultivo original da bebida.


Portugal: importante na popularização do chá

O fato que muitos desconhecem é que Portugal tem um papel muito importante nesta história toda: foram os portugueses que inspiraram a popularidade do chá no Reino Unido.

Da próxima vez que estiver tomando um delicioso chá premium faça um exercício de memória e reconheça o papel de Portugal e sua importância na popularização desta bebida mundialmente conhecida que tanto amamos.

Em primeiro lugar, em uma viagem no tempo, voltando 359 anos, vamos entender melhor isso.

Foi em 1661, quando a filha do rei João IV de Portugal, Catarina de Bragança se casou com o monarca inglês, o rei Carlos, que tudo começou.

Um dote imenso, onde foram inclusos dinheiro, tesouro e os lucros de portos muito grandes na época, de Tanger e Bombaim, auxiliou nesse tramite.

Esta ligação tornou Catarina de Bragança uma senhora muito importante e reconhecida. Simplesmente ela se tornou a rainha da Inglaterra e da Irlanda.

Catarina de Bragança

Quando a então rainha se mudou para a Inglaterra, afirma-se que ela teria embalado chá de folhas soltas como parte de sua bagagem, ou seja, dos seus pertences pessoais.

Ao se casar com o rei da Inglaterra, Catarina manteve o hábito de tomar chá todos os dias. Conta a divertida lenda que as caixas eram marcadas como Transporte de Ervas Aromáticas.

Isso, posteriormente, foi abreviado para uma sigla que acabou conhecida mundialmente por TEA.

Não se sabe ao certo se essa lenda é verdadeira. Especialistas acreditam que a palavra chá veio de uma transliteração de caracteres chineses.

O que é certeza mesmo é que o chá já estava com sua popularidade em alta entre os mais ricos de Portugal por causa da linha direta de comércio entre os portugueses e a China por meio da sua colônia em Macau.


O poder de uma grande “influencer”

Foi lá em Macau que o chá se estabeleceu pela primeira vez nos anos 1500.

Quando Catarina chegou na Inglaterra o chá era consumido somente como um remédio.

Acreditava-se, nessa época, que a bebida revigorava o corpo e mantinha o baço livre de qualquer obstrução, ou seja, mantendo esse órgão em perfeito funcionamento.

No entanto, a jovem rainha, desde pequena, estava acostumada a tomar chá como parte de sua prática diária. Sendo assim, mesmo morando no Reino Unido, ela seguiu com essa rotina.

Então ela pode ser apontada como a grande responsável pela popularização da bebida em solo britânico.

Foi ela que trouxe o conceito de que o chá não era somente um tônico para a saúde e sim uma bebida muito gostosa, que poderia ser degustada a qualquer hora do dia ou da noite e acompanhar ainda uma deliciosa refeição.

É justamente esse conceito que trazemos até hoje.   

Quando Catarina se casou com Carlos ela era simplesmente o foco da atenção de todo mundo. Podemos compará-la ao poder midiático da princesa Diana.

Isso acontecia em todos os aspectos que envolvia a sua vida, desde as suas roupas até seus móveis, o modo de falar, de se comportar, como comia, o que comia, e todos os seus hábitos.

Todas essas observações ganharam uma proporção tão grande que até na corte britânica um dos assuntos principais nas rodas de conversa era o que a rainha fez, fazia, ou tinha deixado de fazer.

Sendo assim o fato dela consumir chá com grande regularidade acabou encorajando centenas de pessoas na época ao fazerem o mesmo.

As mulheres da alta sociedade britânica acabavam se reunindo para copiá-la, tendo a intenção, no final das contas, de fazer parte do seu restrito círculo de amizades.

Ingleses: os maiores consumidores de chá do mundo

Para se ter uma ideia da importância do chá no Reino Unido, só a título de comparação: seu consumo na Inglaterra é quase 3 vezes maior do que no Japão, mesmo com toda tradição que o país oriental tem com a bebida; e os ingleses bebem muito, mas muito mais chá que os americanos: 22 vezes mais. O curioso é que, de acordo com uma pesquisa recente, 98% dos ingleses bebem o seu chá misturado com leite.


A relação entre o chá das 5 e a rainha da Inglaterra, Elizabeth II

Se as suas antecessoras adoravam tomar um chá à tarde, não seria a atual rainha Elizabeth II que iria acabar com essa tradição.

Vale muito a pena conhecer os bastidores do palácio real britânico! O dia de Elizabeth II começa às 7h30, com sua bandeja de chá do café da manhã.

Contudo, o chá da tarde no palácio real costuma ser servido pontualmente às 16 horas, junto com bolos ou canapés.

Esse momento é um dos preferidos de vossa majestade, quando ela aproveita para relaxar um pouco.

Caso você tenha a extraordinária sorte de fazer companhia à realeza inglesa deve se familiarizar com a etiqueta especial exigida para a inesquecível ocasião.

Elizabeth II

Em primeiro lugar, em um possível encontro com a rainha, deve tratá-la como “sua majestade” e, posteriormente como senhora.

Depois ela será chamada novamente por sua majestade. Quando a rainha entrar numa sala é de bom tom e aconselha-se permanecer em pé.

Do mesmo modo, apenas as xícaras de chá devem ser levantadas ao se degustar a bebida.

Nunca deve ser levantado o dedo mínimo ao beber já que isso é considerado total falta de etiqueta.

A respeito da xícara, ela deve sempre permanecer no pires quando a pessoa não estiver bebendo.

Do mesmo modo, também é considerado um sinal de boa educação que os convidados parem de comer assim que a rainha terminar sua refeição.

Elizabeth II

O assunto “chá” é levado tão a sério no Reino Unido que o príncipe Charles tem sua própria marca: a Duchy Originals, que promove a herança de alimentos orgânicos.

Sua coleção apresenta uma suntuosa variedade de chás finos, biscoitos e conservas.

“A marca representa o que há de melhor em produtos britânicos de origem sustentável e orgânicos. Desde o início, preservar nosso patrimônio, manter as habilidades tradicionais e apoiar nossas comunidades locais foram de fundamental importância para a marca

Príncipe Charles.    

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